VOZES…

Nestes dias recebemos uma notícia boa. Nossa última apresentação no SESC Vila Mariana, em 27/02, causou bastante repercussão positiva. O auditório do SESC lotou, e muitos foram os que vieram saber mais do grupo. O espetáculo que montamos “Vozes da Revolução”, por ocasião da “Série Música das Revoluções”, apresentou um panorama das músicas compostas nos anos que sucederam a fundação da República da China em 1912, período da história da China conhecido por Revolução Xinhai. O espetáculo teve como foco as músicas daqueles compositores que despontaram nos anos 30 por suas idéias e concepções musicais, ligadas a renovação do folclore chinês. Uma das características que exploramos foi a relação que estes compositores fizeram com a música européia, introduzidas na China dos anos trinta pelo recém criado sistema de conservatórios de música.

Nie Er (1912 – 1935)

Dentre a seleção de obras e compositores, destacamos um personagem bastante interessante na cultura artística chinesa, o compositor Nie Er, compositor de personalidade marcante e determinado a representar os excluídos da sociedade. Nie Er, sozinho, é responsável pela disseminação de uma estética musical desenvolvida a partir de uma ideia de renovação, para não dizer de recriação, das músicas folclóricas chinesas, um gênero que se difundida cada vez em sua época. A partir de um estudo conservatotial europeu, que recebera na infância, Nie Er escreve um centena de canções sem acompanhamento para serem cantadas pelo povo, no que dizia ser um trabalho de cantar a vida dos trabalhadores esquecidos; doqueiros, vendedores de jornais, coolies, mineiros, pedreiros, batedores de estaca, trabalhadores infantis e sing-song girls dentre outros são as principais referências para suas canções.

O estilo de Nie Er é bastante interessante pois reúne numa só expressão uma regularidade métrica apreendida no repertório musical europeu, e a sensibilidade da linha melódica chinesa, sempre muito angular, oscilante e construída a partir de eixos melódicos de intervalos de quarta compensados por intervalos de terça. Nie Er funde de maneira bastante singela os princípios melódicos que caracterizam o movimento de folclorização chinesa na passagem do século XIX ao XX, com a disposição métrica e formal dos lieds alemães, amplamente estudados na China de sua época. Suas melodias, portanto, são sempre muito equilibradas nos fraseados, e balanceadas nos intervalos entre as notas. Sendo um dos compositores homenageados em nosso espetáculo, no link abaixo (nosso video promocional) constam duas de suas músicas, “nuvens correm atrás da lua” e “dança da serpente dourada”.

O espetáculo foi ótimo! E nele pudemos constatar, pelos olhares e comentários do público, que a recepção brasileira à sensibilidade chinesa é algo a ser cultivado enquanto diálogo entre culturas.

Parênteses (…)

Se de um lado a repercussão foi excelente, de outro, dado o cenário atual da política brasileira, alguns comentaram que nosso grupo era comunista porque havíamos inserido no título do espetáculo a palavra “Revolução”; puro non sense! Não há a menor relação com nada do que acontece na política brasileira. O objetivo do espetáculo foi apenas apresentar as relações que a música chinesa do início XX fez com a música europeia, nada mais. E o título seguia a temática do SESC “música das revoluções”. Agora só faltam dizer que o SESC é comunista. Não duvido!

André Ribeiro, diretor artístico é integrante

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